Operações de Campo
Este guia mostra como registrar o que foi feito no talhão: o preparo do solo, o plantio, a aplicação, a adubação e a colheita.
A operação é a peça central. É por ela que o insumo sai do estoque, que a colheita entra no cultivo e que o custo por hectare finalmente aparece.
O modelo: da pulverização ao custo por hectare
Uma operação começa como um registro do que aconteceu no campo e termina como um número por hectare. O caminho é sempre o mesmo:
- Você registra a operação — o que foi feito, quando, em qual talhão, sobre qual cultivo e em quantos hectares
- Você lança os insumos — cada insumo consumido, com a dose por hectare ou a quantidade total
- Você marca como realizada — e só aqui o estoque é baixado
- O caderno de campo mostra a sequência — tudo o que passou pelo talhão, em ordem
- O custo por hectare aparece no cultivo — somando só as operações realizadas
Cada etapa é reversível. Reabrir uma operação realizada devolve os insumos ao estoque, e isso fica registrado.
O que é congelado#
O talhão e o cultivo são copiados para dentro da operação no momento do registro. Renomear o talhão depois não reescreve a operação: o histórico continua dizendo o que estava escrito no dia em que o trator passou.
Pelo mesmo motivo, o tipo e o talhão não podem ser trocados depois que a operação existe. Registrou errado? Cancele e registre de novo — a operação cancelada continua na lista e no caderno de campo, e não entra em nenhum total.
Operações
Registrar uma operação#
- Acesse Operações de campo no menu e abra Operações
- Clique em Nova operação
- Escolha o tipo — preparo de solo, plantio, aplicação, adubação, colheita ou outra
- Informe a data de execução (não pode ser futura)
- Escolha o talhão e, se houver, o cultivo
- Informe a área trabalhada em hectares
- Escolha o responsável
Se você trabalha com terceiro, informe o prestador de serviço e o custo de terceiros.
Apontar a máquina#
A máquina não é digitada na operação: ela é escolhida do cadastro de máquinas. Depois de salvar a operação, abra-a e use a seção Máquinas para apontar qual máquina trabalhou e por quantas horas.
É o cadastro que faz a hora custar alguma coisa. Quando a operação é concluída, o valor por hora vigente é congelado na linha e entra no custo — o que um nome digitado nunca permitiu. Máquina de terceiro também vale: cadastre-a como de terceiro e as horas dela aparecem no custo junto com as suas.
Só dá para mexer nas máquinas enquanto a operação está planejada. Ver o guia de Máquinas.
Mão de obra
A mão de obra também não é digitada: o trabalhador vem do cadastro do módulo Mão de obra, e a operação escolhe apenas quem tem vínculo ativo na data.
- Abra a operação (ela precisa estar planejada) e, na seção Mão de obra, toque em Apontar trabalhador
- Escolha o trabalhador entre os que têm vínculo ativo na data da operação
- Informe a quantidade, na unidade do vínculo (hora ou diária)
O mesmo trabalhador não pode ter duas linhas na mesma operação. Quando a operação é concluída, o Agronfe congela a função e a taxa vigentes na linha, e quantidade × taxa entra no custo — o mesmo ciclo de congelamento da máquina. Só dá para mexer na mão de obra enquanto a operação está planejada; reabra-a para corrigir.
Corrigir uma linha de mão de obra não troca o trabalhador#
Editar uma linha aceita o corpo inteiro — quantidade e observação — do mesmo jeito que a linha de máquina, e omitir a observação a apaga. O que a edição não aceita é trocar quem a linha aponta: enviar um trabalhador diferente do da linha é recusado. Para trocar de trabalhador, remova a linha e aponte o outro — isso resolve de novo o vínculo, a taxa e a unidade certos para a nova pessoa.
Sem taxa, ou mais de 24 h no dia: os dois avisam, nenhum bloqueia#
Um trabalhador sem taxa cadastrada entra como linha incompleta, do mesmo jeito que uma máquina sem valor por hora. E se a soma das horas do mesmo trabalhador na mesma data passar de 24 h entre todas as operações realizadas, o Agronfe avisa — nunca recusa: apontamento é hora por operação, não ponto eletrônico, e uma colheita lançada numa única operação pode representar mais de um dia de trabalho.
Quem vê o quê#
Apontar mão de obra usa field_ops:operation:update, e quem aponta vê só o nome, a função e o tipo de vínculo de cada trabalhador — nunca o CPF. Sem payroll:worker:read, a taxa e o custo da linha somem da tela; a quantidade e o total de mão de obra da operação continuam visíveis. Ver as permissões de Mão de obra.
Área trabalhada maior que o talhão#
Se a área trabalhada passa da área do talhão, o Agronfe avisa e registra assim mesmo. A pulverização já aconteceu; recusar o registro não a desfaria. Só que o número fica visível, para você conferir se foi passada dupla ou erro de digitação.
Esse é o padrão de todo aviso deste módulo: avisa e segue.
Situação da operação#
| Situação | O que significa | O que acontece com o estoque |
|---|---|---|
| Planejada | Está no plano; ainda não aconteceu | Nada |
| Realizada | Aconteceu no campo | Os insumos são baixados |
| Cancelada | Foi cancelada, com motivo registrado | Os insumos voltam ao estoque |
Marcar como realizada é o que move o estoque. Reabrir devolve. Cancelar devolve e exige o motivo — uma operação cancelada fica visível para sempre, e "cancelada" sem explicação não registra nada.
A operação cancelada continua na lista e no caderno de campo, e não entra em nenhum total de custo.
Duplicar em outros talhões#
Passou o mesmo herbicida em seis talhões? Registre uma vez e duplique.
- Abra a operação e clique em Duplicar em outros talhões
- Escolha a data das cópias e marque os talhões de destino
- Confira a prévia
A prévia não grava nada. Ela mostra, para cada destino, a área proposta e a dose recalculada: a dose por hectare é copiada, e a quantidade total é recalculada para a área daquele talhão. Copiar 250 litros para um talhão de 40 ha quando o original tinha 100 ha estaria errado — o que se repete é a receita, não o volume.
Os talhões que não podem receber a cópia aparecem numa lista à parte, cada um com o motivo (talhão inativo, talhão excluído, cultivo não encontrado, cultivo de outro talhão). Um destino bloqueado não impede os outros.
O responsável não é herdado: o trabalho é novo, e quem responde por ele também.
Insumos e baixa de estoque
Lançar um insumo#
Na operação aberta, clique em Lançar insumo:
- Escolha o insumo e o local de estoque
- Informe a dose por hectare ou a quantidade total
- Opcionalmente troque a unidade e informe um custo unitário que substitua o do catálogo
Os dois números são gravados#
Informe um e o Agronfe calcula o outro sobre a área trabalhada, mostrando os dois na tela antes de você gravar. Os dois ficam gravados — não só o que você digitou.
Isso importa porque a área trabalhada pode ser corrigida depois. Se só a dose ficasse gravada, corrigir a área mudaria silenciosamente a quantidade que saiu do estoque; se só a quantidade ficasse, a dose passaria a mentir. Guardando os dois, o registro nunca discorda de si mesmo.
Se você informar os dois e eles não baterem, o Agronfe avisa e grava assim mesmo. Você mediu o que mediu.
Rastreamento por lote#
O rastreamento por lote é um flag no cadastro do insumo ("Rastreamento por lote", na seção Regulamentação e Rastreio). Quando ligado, o lançamento do insumo passa a exigir lote — e a baixa é dividida entre os lotes disponíveis, do vencimento mais próximo para o mais distante.
Antes de marcar a operação como realizada, clique em Ver o que será baixado: a prévia mostra exatamente de quais lotes, e quanto de cada um, sem tirar nada do estoque.
Um lote vencido ou em quarentena não é consumido, e a operação não passa para realizada até que haja saldo válido.
Quando falta saldo#
Marcar como realizada com estoque insuficiente é recusado, com a mensagem dizendo o insumo e o local. Ajuste a quantidade, troque o local ou dê entrada no insumo antes de concluir.
Aplicação e receituário
O bloco de pulverização#
Uma operação do tipo aplicação — e somente ela — carrega o bloco de pulverização: alvo, volume de calda por hectare, equipamento (autopropelido, acoplado ao trator, costal, aéreo ou outro), carência, reentrada e as condições no momento da aplicação (temperatura, umidade, vento, início e término).
As condições fora da faixa recomendada — vento acima de 10 km/h, umidade abaixo de 50%, temperatura acima de 30 °C — são avisadas, nunca bloqueadas. A aplicação já aconteceu.
Receituários
O sistema registra, não emite#
Esta é a distinção mais importante deste módulo.
O Agronfe registra um receituário agronômico que um profissional habilitado emitiu. Ele não emite receituário, não gera documento e não tem botão de gerar PDF.
Emitir receituário é ato de um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola registrado no conselho, com responsabilidade técnica sobre a recomendação. O que o sistema faz é transcrever o documento que você recebeu, para que ele fique junto da aplicação que o usou.
Registrar um receituário#
- Acesse Receituários e clique em Novo receituário
- Informe o número, a data de emissão e o número da ART
- Informe o profissional responsável: nome, conselho (CREA ou CFTA), registro e UF
- Informe a abrangência: cultura, área, alvo e os talhões cobertos
- Adicione os insumos prescritos — pelo menos um
O número identifica o documento emitido e não muda depois: corrigi-lo significaria transcrever outro receituário.
O insumo prescrito é texto livre, e o vínculo com o catálogo é opcional. Um receituário pode indicar algo que você não tem cadastrado, e o documento é transcrito como veio.
Anexar o documento digitalizado#
No receituário aberto, clique em Anexar documento. São aceitos PDF, JPEG, PNG e WEBP, até 10 MB.
Vincular à aplicação#
No formulário da operação de aplicação, escolha o receituário na lista. Ela vem ordenada pelo talhão e pela cultura da operação, mas um receituário emitido para outro talhão continua selecionável — apenas mais abaixo.
Se algum insumo da operação exige receituário ("Requer receituário agronômico", no cadastro do insumo) e nenhum receituário foi vinculado, o Agronfe avisa e registra assim mesmo.
Colheita
Uma operação de colheita precisa estar vinculada a um cultivo: não existe colheita sem cultivo.
Com a operação registrada, clique em Lançar colheita e informe a data e a quantidade — em uma unidade ou em quilos, nunca nas duas. A produção é lançada contra o cultivo, e a produtividade por hectare passa a aparecer lá.
Se a carência de uma aplicação anterior ainda não terminou, o Agronfe avisa. E segue.
Caderno de campo
O caderno de campo é tudo o que passou por um talhão ou por um cultivo, em ordem cronológica: quem fez, quando, com qual insumo, em qual dose.
Abra-o pelo card Caderno de campo no módulo, ou pela própria operação. Filtre por período e exporte em CSV quando alguém pedir o histórico.
As operações canceladas aparecem no caderno. O caderno registra o que aconteceu no campo, e desistir de um trabalho é parte do que aconteceu.
Custo por hectare
O custo do cultivo tem duas metades.
O custo variável soma o insumo consumido, o custo de terceiros, a hora-máquina e a mão de obra própria de todas as operações realizadas — planejadas e canceladas ficam de fora. É o que este módulo registra.
O custo fixo é o que a safra paga por existir, independentemente da operação realizada: arrendamento, juros de custeio, ITR, seguro, benfeitoria. Ele é lançado no Financeiro e desce até o cultivo pela área plantada. Como se lança está no guia de Gestão Financeira, na seção Custo Fixo da Safra.
O Custo total no alto da tela é a soma das duas, e o custo por hectare acompanha.
A hora-máquina entra pelo valor congelado na conclusão da operação, não pelo valor atual do cadastro. Reajustar uma máquina hoje não muda o custo de um cultivo fechado.
As duas metades, separadas#
Abaixo dos números do alto, a tela abre o total em Custo variável, Custo fixo e Custo total, cada um com o seu valor por hectare.
Safra ou cultivo em que ninguém lançou custo fixo mostra Nada lançado, não R$ 0,00. Uma safra cujo custo fixo soma zero e uma safra em que ninguém lançou nada não são o mesmo fato, e imprimir R$ 0,00 na segunda diria a quem não lançou nada que ele não deve arrendamento nenhum.
Custo fixo que não alcançou cultivo nenhum aparece à parte, como Não rateado, com a razão e um caminho para a propriedade que o carrega. Ele nunca é redistribuído entre os outros cultivos.
Quando você não vê o custo fixo#
Sem a permissão de leitura de custo fixo, a tela abre normalmente — e muda os rótulos. O número do alto passa a se chamar Custo variável em vez de Custo total, e a margem ao lado passa a se chamar Margem sobre custo variável.
Não é detalhe de nomenclatura. Uma margem calculada só sobre o custo variável está superestimada exatamente pelo arrendamento — e seria um número grande e sem marca nenhuma debaixo da palavra "Margem". O rótulo é o que viaja junto do número, então é o rótulo que cai.
O mesmo vale quando o custo fixo existe mas não pôde ser lido agora: a tela diz que o que está ali é só o variável e que o fixo é desconhecido — nunca zero.
Onde foi o custo#
A tela separa o custo em quatro partes: insumos, terceiros, máquinas e mão de obra própria.
As quatro somam o custo variável, não o custo total. A terra não é insumo, terceiro, máquina nem mão de obra: o custo fixo não pertence a nenhuma dessas categorias. Havendo custo fixo na safra, a tela avisa isso uma vez, no alto do bloco — sem o aviso, os quatro números somariam menos que a manchete e pareceriam erro de conta.
Pela mesma razão, a quebra por tipo de operação e a quebra por categoria de insumo também são só do custo variável.
E a quebra por categoria de insumo é só de insumo. Máquina e mão de obra não têm categoria de insumo para serem agrupadas sob, então as duas aparecem na separação acima e não naquela tabela.
Uma operação realizada sem nenhuma linha de mão de obra apontada e sem custo de terceiros é contada à parte, para lembrar quem ainda não registra a própria equipe.
Quando o número está incompleto#
Se algum insumo consumido não tem custo cadastrado, alguma máquina apontada estava sem valor por hora, ou algum trabalhador apontado estava sem taxa — o Agronfe informa quantas linhas de cada tipo estão sem custo, e o total exibido é parcial. Ele nunca mostra o custo como zero por causa disso: zero é uma resposta, "faltam linhas" é outra.
As três faltas são contadas separadamente e consertadas em lugares diferentes: o insumo sem custo, no cadastro de insumos; a máquina sem valor por hora, no cadastro de máquinas; o trabalhador sem taxa, no vínculo, em Mão de obra. Saber que faltam linhas diz que há um problema; saber de qual parcela diz onde ir.
O custo fixo tem a sua própria falta: um lançamento de arrendamento em sacas que ainda não tem preço de referência fica incompleto. A tela avisa, e o total do custo fixo fica por baixo — parcial, nunca zerado. Esse conserto é no Financeiro, informando o preço.
Quando não há custo por hectare#
Se a área plantada é zero, o custo por hectare aparece como —, não como zero. Não há por quantos hectares dividir, e mostrar 0 afirmaria que o cultivo custou nada por hectare.
Custo que não pertence a nenhum cultivo#
Uma estrada, um carreador ou uma correção em pousio não têm cultivo para receber o custo. Essas operações são registradas sem cultivo, e o custo delas é reportado à parte, nunca rateado entre os cultivos do talhão.
São duas coisas diferentes, e a tela as mostra separadas:
| O que aparece | O que é |
|---|---|
| Custo não alocado | Custo variável de uma operação registrada sem cultivo — a estrada, o carreador, o pousio |
| Custo não rateado | Custo fixo da safra que não encontrou cultivo nenhum para descer — falta cadastrar o cultivo, ou ele está sem área plantada |
Nenhum dos dois é redistribuído entre os cultivos. O primeiro é custo que nunca teve dono; o segundo é custo com dono que ainda não foi cadastrado.
Permissões
| Permissão | O que libera |
|---|---|
field_ops:operation:read |
Ver operações, caderno de campo e custo |
field_ops:operation:create |
Registrar e duplicar operações |
field_ops:operation:update |
Editar, lançar insumo, mudar situação — inclusive a baixa e o estorno de estoque |
field_ops:operation:delete |
Excluir operações |
field_ops:prescription:read |
Ver receituários |
field_ops:prescription:create |
Registrar receituários |
field_ops:prescription:update |
Editar receituários e gerenciar anexos |
field_ops:prescription:delete |
Excluir receituários |
O insumo, a aplicação e o anexo não têm permissão própria: são sub-recursos da operação e do receituário.
A baixa e o estorno de estoque acontecem sob field_ops:operation:update — quem registra a operação não precisa de permissão de estoque para isso. Já lançar a colheita exige também crop:harvest:create, porque o lançamento da produção pertence ao módulo de cultivo.
Apontar mão de obra também usa field_ops:operation:update. Ver a taxa e o custo por linha, em vez de só o total, exige payroll:worker:read, do módulo Mão de obra.
Ver o custo fixo dentro do custo exige finance:season_cost:list, que é do Financeiro. Sem ela a tela continua abrindo, com o custo variável e os rótulos que dizem que é só o variável.
Problemas comuns
"Não consigo marcar como realizada — falta saldo."
Não há estoque suficiente no local escolhido. Ajuste a quantidade, troque o local ou dê entrada no insumo.
"Não consigo trocar o tipo ou o talhão da operação."
Os dois são fixos depois de criada. Cancele a operação e registre outra — a cancelada continua no histórico e não entra em nenhum total.
"Não consigo editar a operação."
Ela está cancelada. Uma operação cancelada é um registro fechado.
"Não consigo excluir o receituário."
Há aplicações vinculadas a ele. Desvincule-as primeiro.
"Não consigo trocar o trabalhador de um apontamento."
O trabalhador de uma linha de mão de obra não muda. Remova a linha e aponte o outro trabalhador.
"Não consigo lançar a colheita."
A operação precisa ser do tipo colheita e estar vinculada a um cultivo. Se já existe colheita lançada, ela não é lançada duas vezes.
"O custo do cultivo parece baixo."
Confira se as operações estão marcadas como realizadas — planejadas não entram — e se há linhas sem custo de insumo, que o Agronfe informa acima do total.
"Onde eu emito o receituário?"
Você não emite. O Agronfe registra o receituário que um profissional habilitado emitiu; a emissão é ato dele, não do sistema.