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Operações de Campo

Este guia mostra como registrar o que foi feito no talhão: o preparo do solo, o plantio, a aplicação, a adubação e a colheita.

A operação é a peça central. É por ela que o insumo sai do estoque, que a colheita entra no cultivo e que o custo por hectare finalmente aparece.

O modelo: da pulverização ao custo por hectare

Uma operação começa como um registro do que aconteceu no campo e termina como um número por hectare. O caminho é sempre o mesmo:

  1. Você registra a operação — o que foi feito, quando, em qual talhão, sobre qual cultivo e em quantos hectares
  2. Você lança os insumos — cada insumo consumido, com a dose por hectare ou a quantidade total
  3. Você marca como realizada — e só aqui o estoque é baixado
  4. O caderno de campo mostra a sequência — tudo o que passou pelo talhão, em ordem
  5. O custo por hectare aparece no cultivo — somando só as operações realizadas

Cada etapa é reversível. Reabrir uma operação realizada devolve os insumos ao estoque, e isso fica registrado.

O que é congelado#

O talhão e o cultivo são copiados para dentro da operação no momento do registro. Renomear o talhão depois não reescreve a operação: o histórico continua dizendo o que estava escrito no dia em que o trator passou.

Pelo mesmo motivo, o tipo e o talhão não podem ser trocados depois que a operação existe. Registrou errado? Cancele e registre de novo — a operação cancelada continua na lista e no caderno de campo, e não entra em nenhum total.

Operações

Registrar uma operação#

  1. Acesse Operações de campo no menu e abra Operações
  2. Clique em Nova operação
  3. Escolha o tipo — preparo de solo, plantio, aplicação, adubação, colheita ou outra
  4. Informe a data de execução (não pode ser futura)
  5. Escolha o talhão e, se houver, o cultivo
  6. Informe a área trabalhada em hectares
  7. Escolha o responsável

Se você trabalha com terceiro, informe o prestador de serviço e o custo de terceiros.

Apontar a máquina#

A máquina não é digitada na operação: ela é escolhida do cadastro de máquinas. Depois de salvar a operação, abra-a e use a seção Máquinas para apontar qual máquina trabalhou e por quantas horas.

É o cadastro que faz a hora custar alguma coisa. Quando a operação é concluída, o valor por hora vigente é congelado na linha e entra no custo — o que um nome digitado nunca permitiu. Máquina de terceiro também vale: cadastre-a como de terceiro e as horas dela aparecem no custo junto com as suas.

Só dá para mexer nas máquinas enquanto a operação está planejada. Ver o guia de Máquinas.

Mão de obra

A mão de obra também não é digitada: o trabalhador vem do cadastro do módulo Mão de obra, e a operação escolhe apenas quem tem vínculo ativo na data.

  1. Abra a operação (ela precisa estar planejada) e, na seção Mão de obra, toque em Apontar trabalhador
  2. Escolha o trabalhador entre os que têm vínculo ativo na data da operação
  3. Informe a quantidade, na unidade do vínculo (hora ou diária)

O mesmo trabalhador não pode ter duas linhas na mesma operação. Quando a operação é concluída, o Agronfe congela a função e a taxa vigentes na linha, e quantidade × taxa entra no custo — o mesmo ciclo de congelamento da máquina. Só dá para mexer na mão de obra enquanto a operação está planejada; reabra-a para corrigir.

Corrigir uma linha de mão de obra não troca o trabalhador#

Editar uma linha aceita o corpo inteiro — quantidade e observação — do mesmo jeito que a linha de máquina, e omitir a observação a apaga. O que a edição não aceita é trocar quem a linha aponta: enviar um trabalhador diferente do da linha é recusado. Para trocar de trabalhador, remova a linha e aponte o outro — isso resolve de novo o vínculo, a taxa e a unidade certos para a nova pessoa.

Sem taxa, ou mais de 24 h no dia: os dois avisam, nenhum bloqueia#

Um trabalhador sem taxa cadastrada entra como linha incompleta, do mesmo jeito que uma máquina sem valor por hora. E se a soma das horas do mesmo trabalhador na mesma data passar de 24 h entre todas as operações realizadas, o Agronfe avisa — nunca recusa: apontamento é hora por operação, não ponto eletrônico, e uma colheita lançada numa única operação pode representar mais de um dia de trabalho.

Quem vê o quê#

Apontar mão de obra usa field_ops:operation:update, e quem aponta vê só o nome, a função e o tipo de vínculo de cada trabalhador — nunca o CPF. Sem payroll:worker:read, a taxa e o custo da linha somem da tela; a quantidade e o total de mão de obra da operação continuam visíveis. Ver as permissões de Mão de obra.

Área trabalhada maior que o talhão#

Se a área trabalhada passa da área do talhão, o Agronfe avisa e registra assim mesmo. A pulverização já aconteceu; recusar o registro não a desfaria. Só que o número fica visível, para você conferir se foi passada dupla ou erro de digitação.

Esse é o padrão de todo aviso deste módulo: avisa e segue.

Situação da operação#

Situação O que significa O que acontece com o estoque
Planejada Está no plano; ainda não aconteceu Nada
Realizada Aconteceu no campo Os insumos são baixados
Cancelada Foi cancelada, com motivo registrado Os insumos voltam ao estoque

Marcar como realizada é o que move o estoque. Reabrir devolve. Cancelar devolve e exige o motivo — uma operação cancelada fica visível para sempre, e "cancelada" sem explicação não registra nada.

A operação cancelada continua na lista e no caderno de campo, e não entra em nenhum total de custo.

Duplicar em outros talhões#

Passou o mesmo herbicida em seis talhões? Registre uma vez e duplique.

  1. Abra a operação e clique em Duplicar em outros talhões
  2. Escolha a data das cópias e marque os talhões de destino
  3. Confira a prévia

A prévia não grava nada. Ela mostra, para cada destino, a área proposta e a dose recalculada: a dose por hectare é copiada, e a quantidade total é recalculada para a área daquele talhão. Copiar 250 litros para um talhão de 40 ha quando o original tinha 100 ha estaria errado — o que se repete é a receita, não o volume.

Os talhões que não podem receber a cópia aparecem numa lista à parte, cada um com o motivo (talhão inativo, talhão excluído, cultivo não encontrado, cultivo de outro talhão). Um destino bloqueado não impede os outros.

O responsável não é herdado: o trabalho é novo, e quem responde por ele também.

Insumos e baixa de estoque

Lançar um insumo#

Na operação aberta, clique em Lançar insumo:

  1. Escolha o insumo e o local de estoque
  2. Informe a dose por hectare ou a quantidade total
  3. Opcionalmente troque a unidade e informe um custo unitário que substitua o do catálogo

Os dois números são gravados#

Informe um e o Agronfe calcula o outro sobre a área trabalhada, mostrando os dois na tela antes de você gravar. Os dois ficam gravados — não só o que você digitou.

Isso importa porque a área trabalhada pode ser corrigida depois. Se só a dose ficasse gravada, corrigir a área mudaria silenciosamente a quantidade que saiu do estoque; se só a quantidade ficasse, a dose passaria a mentir. Guardando os dois, o registro nunca discorda de si mesmo.

Se você informar os dois e eles não baterem, o Agronfe avisa e grava assim mesmo. Você mediu o que mediu.

Rastreamento por lote#

O rastreamento por lote é um flag no cadastro do insumo ("Rastreamento por lote", na seção Regulamentação e Rastreio). Quando ligado, o lançamento do insumo passa a exigir lote — e a baixa é dividida entre os lotes disponíveis, do vencimento mais próximo para o mais distante.

Antes de marcar a operação como realizada, clique em Ver o que será baixado: a prévia mostra exatamente de quais lotes, e quanto de cada um, sem tirar nada do estoque.

Um lote vencido ou em quarentena não é consumido, e a operação não passa para realizada até que haja saldo válido.

Quando falta saldo#

Marcar como realizada com estoque insuficiente é recusado, com a mensagem dizendo o insumo e o local. Ajuste a quantidade, troque o local ou dê entrada no insumo antes de concluir.

Aplicação e receituário

O bloco de pulverização#

Uma operação do tipo aplicação — e somente ela — carrega o bloco de pulverização: alvo, volume de calda por hectare, equipamento (autopropelido, acoplado ao trator, costal, aéreo ou outro), carência, reentrada e as condições no momento da aplicação (temperatura, umidade, vento, início e término).

As condições fora da faixa recomendada — vento acima de 10 km/h, umidade abaixo de 50%, temperatura acima de 30 °C — são avisadas, nunca bloqueadas. A aplicação já aconteceu.

Receituários

O sistema registra, não emite#

Esta é a distinção mais importante deste módulo.

O Agronfe registra um receituário agronômico que um profissional habilitado emitiu. Ele não emite receituário, não gera documento e não tem botão de gerar PDF.

Emitir receituário é ato de um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola registrado no conselho, com responsabilidade técnica sobre a recomendação. O que o sistema faz é transcrever o documento que você recebeu, para que ele fique junto da aplicação que o usou.

Registrar um receituário#

  1. Acesse Receituários e clique em Novo receituário
  2. Informe o número, a data de emissão e o número da ART
  3. Informe o profissional responsável: nome, conselho (CREA ou CFTA), registro e UF
  4. Informe a abrangência: cultura, área, alvo e os talhões cobertos
  5. Adicione os insumos prescritos — pelo menos um

O número identifica o documento emitido e não muda depois: corrigi-lo significaria transcrever outro receituário.

O insumo prescrito é texto livre, e o vínculo com o catálogo é opcional. Um receituário pode indicar algo que você não tem cadastrado, e o documento é transcrito como veio.

Anexar o documento digitalizado#

No receituário aberto, clique em Anexar documento. São aceitos PDF, JPEG, PNG e WEBP, até 10 MB.

Vincular à aplicação#

No formulário da operação de aplicação, escolha o receituário na lista. Ela vem ordenada pelo talhão e pela cultura da operação, mas um receituário emitido para outro talhão continua selecionável — apenas mais abaixo.

Se algum insumo da operação exige receituário ("Requer receituário agronômico", no cadastro do insumo) e nenhum receituário foi vinculado, o Agronfe avisa e registra assim mesmo.

Colheita

Uma operação de colheita precisa estar vinculada a um cultivo: não existe colheita sem cultivo.

Com a operação registrada, clique em Lançar colheita e informe a data e a quantidade — em uma unidade ou em quilos, nunca nas duas. A produção é lançada contra o cultivo, e a produtividade por hectare passa a aparecer lá.

Se a carência de uma aplicação anterior ainda não terminou, o Agronfe avisa. E segue.

Caderno de campo

O caderno de campo é tudo o que passou por um talhão ou por um cultivo, em ordem cronológica: quem fez, quando, com qual insumo, em qual dose.

Abra-o pelo card Caderno de campo no módulo, ou pela própria operação. Filtre por período e exporte em CSV quando alguém pedir o histórico.

As operações canceladas aparecem no caderno. O caderno registra o que aconteceu no campo, e desistir de um trabalho é parte do que aconteceu.

Custo por hectare

O custo do cultivo tem duas metades.

O custo variável soma o insumo consumido, o custo de terceiros, a hora-máquina e a mão de obra própria de todas as operações realizadas — planejadas e canceladas ficam de fora. É o que este módulo registra.

O custo fixo é o que a safra paga por existir, independentemente da operação realizada: arrendamento, juros de custeio, ITR, seguro, benfeitoria. Ele é lançado no Financeiro e desce até o cultivo pela área plantada. Como se lança está no guia de Gestão Financeira, na seção Custo Fixo da Safra.

O Custo total no alto da tela é a soma das duas, e o custo por hectare acompanha.

A hora-máquina entra pelo valor congelado na conclusão da operação, não pelo valor atual do cadastro. Reajustar uma máquina hoje não muda o custo de um cultivo fechado.

As duas metades, separadas#

Abaixo dos números do alto, a tela abre o total em Custo variável, Custo fixo e Custo total, cada um com o seu valor por hectare.

Safra ou cultivo em que ninguém lançou custo fixo mostra Nada lançado, não R$ 0,00. Uma safra cujo custo fixo soma zero e uma safra em que ninguém lançou nada não são o mesmo fato, e imprimir R$ 0,00 na segunda diria a quem não lançou nada que ele não deve arrendamento nenhum.

Custo fixo que não alcançou cultivo nenhum aparece à parte, como Não rateado, com a razão e um caminho para a propriedade que o carrega. Ele nunca é redistribuído entre os outros cultivos.

Quando você não vê o custo fixo#

Sem a permissão de leitura de custo fixo, a tela abre normalmente — e muda os rótulos. O número do alto passa a se chamar Custo variável em vez de Custo total, e a margem ao lado passa a se chamar Margem sobre custo variável.

Não é detalhe de nomenclatura. Uma margem calculada só sobre o custo variável está superestimada exatamente pelo arrendamento — e seria um número grande e sem marca nenhuma debaixo da palavra "Margem". O rótulo é o que viaja junto do número, então é o rótulo que cai.

O mesmo vale quando o custo fixo existe mas não pôde ser lido agora: a tela diz que o que está ali é só o variável e que o fixo é desconhecido — nunca zero.

Onde foi o custo#

A tela separa o custo em quatro partes: insumos, terceiros, máquinas e mão de obra própria.

As quatro somam o custo variável, não o custo total. A terra não é insumo, terceiro, máquina nem mão de obra: o custo fixo não pertence a nenhuma dessas categorias. Havendo custo fixo na safra, a tela avisa isso uma vez, no alto do bloco — sem o aviso, os quatro números somariam menos que a manchete e pareceriam erro de conta.

Pela mesma razão, a quebra por tipo de operação e a quebra por categoria de insumo também são só do custo variável.

E a quebra por categoria de insumo é só de insumo. Máquina e mão de obra não têm categoria de insumo para serem agrupadas sob, então as duas aparecem na separação acima e não naquela tabela.

Uma operação realizada sem nenhuma linha de mão de obra apontada e sem custo de terceiros é contada à parte, para lembrar quem ainda não registra a própria equipe.

Quando o número está incompleto#

Se algum insumo consumido não tem custo cadastrado, alguma máquina apontada estava sem valor por hora, ou algum trabalhador apontado estava sem taxa — o Agronfe informa quantas linhas de cada tipo estão sem custo, e o total exibido é parcial. Ele nunca mostra o custo como zero por causa disso: zero é uma resposta, "faltam linhas" é outra.

As três faltas são contadas separadamente e consertadas em lugares diferentes: o insumo sem custo, no cadastro de insumos; a máquina sem valor por hora, no cadastro de máquinas; o trabalhador sem taxa, no vínculo, em Mão de obra. Saber que faltam linhas diz que há um problema; saber de qual parcela diz onde ir.

O custo fixo tem a sua própria falta: um lançamento de arrendamento em sacas que ainda não tem preço de referência fica incompleto. A tela avisa, e o total do custo fixo fica por baixo — parcial, nunca zerado. Esse conserto é no Financeiro, informando o preço.

Quando não há custo por hectare#

Se a área plantada é zero, o custo por hectare aparece como , não como zero. Não há por quantos hectares dividir, e mostrar 0 afirmaria que o cultivo custou nada por hectare.

Custo que não pertence a nenhum cultivo#

Uma estrada, um carreador ou uma correção em pousio não têm cultivo para receber o custo. Essas operações são registradas sem cultivo, e o custo delas é reportado à parte, nunca rateado entre os cultivos do talhão.

São duas coisas diferentes, e a tela as mostra separadas:

O que aparece O que é
Custo não alocado Custo variável de uma operação registrada sem cultivo — a estrada, o carreador, o pousio
Custo não rateado Custo fixo da safra que não encontrou cultivo nenhum para descer — falta cadastrar o cultivo, ou ele está sem área plantada

Nenhum dos dois é redistribuído entre os cultivos. O primeiro é custo que nunca teve dono; o segundo é custo com dono que ainda não foi cadastrado.

Permissões

Permissão O que libera
field_ops:operation:read Ver operações, caderno de campo e custo
field_ops:operation:create Registrar e duplicar operações
field_ops:operation:update Editar, lançar insumo, mudar situação — inclusive a baixa e o estorno de estoque
field_ops:operation:delete Excluir operações
field_ops:prescription:read Ver receituários
field_ops:prescription:create Registrar receituários
field_ops:prescription:update Editar receituários e gerenciar anexos
field_ops:prescription:delete Excluir receituários

O insumo, a aplicação e o anexo não têm permissão própria: são sub-recursos da operação e do receituário.

A baixa e o estorno de estoque acontecem sob field_ops:operation:update — quem registra a operação não precisa de permissão de estoque para isso. Já lançar a colheita exige também crop:harvest:create, porque o lançamento da produção pertence ao módulo de cultivo.

Apontar mão de obra também usa field_ops:operation:update. Ver a taxa e o custo por linha, em vez de só o total, exige payroll:worker:read, do módulo Mão de obra.

Ver o custo fixo dentro do custo exige finance:season_cost:list, que é do Financeiro. Sem ela a tela continua abrindo, com o custo variável e os rótulos que dizem que é só o variável.

Problemas comuns

"Não consigo marcar como realizada — falta saldo."
Não há estoque suficiente no local escolhido. Ajuste a quantidade, troque o local ou dê entrada no insumo.

"Não consigo trocar o tipo ou o talhão da operação."
Os dois são fixos depois de criada. Cancele a operação e registre outra — a cancelada continua no histórico e não entra em nenhum total.

"Não consigo editar a operação."
Ela está cancelada. Uma operação cancelada é um registro fechado.

"Não consigo excluir o receituário."
Há aplicações vinculadas a ele. Desvincule-as primeiro.

"Não consigo trocar o trabalhador de um apontamento."
O trabalhador de uma linha de mão de obra não muda. Remova a linha e aponte o outro trabalhador.

"Não consigo lançar a colheita."
A operação precisa ser do tipo colheita e estar vinculada a um cultivo. Se já existe colheita lançada, ela não é lançada duas vezes.

"O custo do cultivo parece baixo."
Confira se as operações estão marcadas como realizadas — planejadas não entram — e se há linhas sem custo de insumo, que o Agronfe informa acima do total.

"Onde eu emito o receituário?"
Você não emite. O Agronfe registra o receituário que um profissional habilitado emitiu; a emissão é ato dele, não do sistema.